CRÍTICA: A vida e a história de Madam C.J. Walker – CONTÉM SPOILERS!

Hi, Glitters! Já faz um tempo que não postamos um textão bão para vocês, mas desde que a Netflix lançou a série sobre a primeira mulher negra americana a ficar milionária por conta própria no início dos anos 1900, bom, tínhamos que produzir uma crítica daquelas para inspirar vocês aí do outro lado da tela! Bora lá!

Baseada no livro “On Her Ground”, de A’Lelia Bundles, a série conta a história de Sara. Filha de escravos, casou cedo e ficou viúva cedo também, com uma filha para criar. Casou-se novamente, sofreu abusos do marido, que eventualmente a largou; foi quando seu cabelo começou a cair e junto com ele, a sua autoestima. Sara ganhava a vida lavando roupa para fora e mal conseguia se manter. Então, após Eddie bater em sua porta e se oferece para tratar de seu cabelo usando seu próprio produto em troca de roupa lavada, parecia que finalmente Deus estava sorrindo para Sara, como é dito pela personagem na série.

Poster/AdoroCinema/Netflix

‘EU SIM, VOCÊ NÃO’

Tudo vai bem com a troca que Sara e Eddie estabeleceram, mas quando Sara se propõe a vender os produtos da ‘amiga’, as coisas começam a se complicar. Eddie a destrata e diz que as vendas não são para gente como ela. Neste momento da série, fica claro o preconceito da cor de negros para negros, pois Sara é negra retinta e Eddie é mulata. Obedecendo ao instinto empreendedor, Sara resolve roubar algumas amostras do elixir milagroso e decide vende-las no mercado da época, que mais parecia uma feira. Contando sua própria história de aceitação e evolução vinda através do cuidado capilar, ela consegue vender todas as amostras, o que deixa Eddie furiosa.

EVOLUÇÃO DA TRAMA

Tendo desfeito a quase parceria com Eddie, Sara decide criar seu próprio creme. A família – o atual marido, C.J., a filha Lelia e seu esposo, e o sogro, Cleophus embarcam junto nessa empreitada. Tudo começa dando certo, mas por conta da sede de evolução e determinação da protagonista, os relacionamentos familiares vão se desgastando. E é nessa ferida que queremos tocar.

No decorrer desta fase, o público demonstrou um certo descontentamento pelas decisões e atitudes que Madam C.J. Walker tomou. Conforme a história é contada, dá a entender que ela passou por cima de tudo e todos para conseguir montar sua fábrica, falar com pessoas influentes da época e não medir esforços para construir seu império.

Alguns acharam errado ela falar sobre a empresa como se fosse só dela, que não havia cabimento querer ter voz num mundo comandado por homens e por não ser uma mãe presente ou mesmo, esposa. Muitos dos posicionamentos podem estar corretos e a série te leva a sentir esses sentimentos, visto que os diálogos às vezes lembram os das novelas. Mas, temos que levar em consideração que, quando colocamos essas mesmas atitudes sob a perspectiva masculina, as ações não têm mais tanto peso assim.

As mesmas coisas que Sara fez para conseguir o que queria, homens – brancos e negros – fazem o tempo todo e não geram tanto abalo. As respostas dadas pelo público referentes à essa fase da história de Sara, deixam bem claro os valores morais da sociedade quando se diz respeito ao que homens e mulheres representam, seja em qualquer época da história.

Poster/Netflix

A FRENTE DE SEU TEMPO

Entre vários conflitos, a série ainda trata de assuntos importantíssimos, como traições, relacionamento homo afetivo, adoção, política e acima de tudo: amor ao cabelo. Lider nata, Madam C.J. Walker revolucionou o mercado da beleza para mulheres negras através de seus produtos capilares e cosméticos. Lutou bravamente por seu direito de ser e fazer o que quiser, ignorando o status social em uma época em que os EUA viviam sob uma rígida segregação racial. Sua história é inspiradora e serve sim de exemplo não só de empreendedorismo, mas de amor próprio.

Lembrem-se, glitters: “Great hair leads to great opportunities!”

Publicado por marô marô

Inquieta e insubordinada.

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